De Paloma Wool a Flabelus e HOFF, a Espanha vive uma fase especialmente interessante para quem gosta de moda, design e compras durante a viagem
Durante muito tempo, falar em moda espanhola fora da Espanha era quase sinônimo de Zara, Mango e Massimo Dutti. As grandes redes seguem relevantes e continuam exercendo enorme influência no varejo internacional, mas hoje representam apenas uma parte de uma cena muito mais ampla. Marcas autorais ganharam projeção, o design espanhol passou a circular com mais força fora do país e nomes ligados a roupas, bolsas e calçados começaram a disputar atenção com etiquetas francesas, italianas e escandinavas.
Madri e Barcelona ajudam a entender esse movimento. A capital concentra flagships, marcas premium e algumas das áreas comerciais mais importantes do país, enquanto Barcelona mantém uma relação particularmente forte com design, moda independente e marcas criativas. Para quem pretende aproveitar a viagem também para fazer compras, escolher bem onde ficar em Madri pode facilitar um roteiro por Salamanca, Centro, Chueca e Malasaña. Saber onde ficar em Barcelona também faz diferença para quem quer circular pelo Eixample, Gràcia e Born sem transformar o dia de compras em uma sucessão de deslocamentos.
Mais interessante do que simplesmente comprar, porém, é observar o que está acontecendo nas vitrines e nas ruas. Em 2026, a moda espanhola acompanha uma mudança que também aparece em outras capitais europeias: depois de algumas temporadas dominadas pelo minimalismo absoluto, voltaram a ganhar espaço as texturas, as cores profundas, os volumes mais marcados e os acessórios capazes de mudar completamente um look.
O que está em alta na moda espanhola
Não existe um único “estilo espanhol”, e tentar resumir a forma como as espanholas se vestem seria simplificar demais uma cena que muda muito de uma cidade para outra. Ainda assim, algumas tendências aparecem com frequência nas coleções, editoriais e vitrines do país.
A alfaiataria continua forte, mas deixou de ter aparência excessivamente formal. Blazers estruturados, calças amplas e ombros marcados aparecem combinados com jeans, camisetas, tricôs e sapatos baixos. O resultado é mais urbano do que corporativo. As saias midi também seguem relevantes, assim como vestidos de inspiração lingerie, peças com transparência, camisas de modelagem ampla e tecidos com textura.
Nas cores, os neutros não desapareceram, mas deixaram de dominar sozinhos. Marrons profundos, vinho, vermelho e berinjela aparecem com mais frequência, principalmente no outono e no inverno. É uma mudança importante porque mostra uma moda menos preocupada em parecer silenciosa e mais aberta a elementos de personalidade. Em vez de um guarda-roupa inteiro construído em torno de tons discretos, a tendência agora é inserir cor ou textura em pontos específicos, seja em um casaco, em uma bolsa ou nos sapatos.
As marcas que ajudam a explicar esse momento
Entre os nomes que melhor representam a fase atual está a Paloma Wool, criada em Barcelona. A marca desenvolveu uma linguagem visual muito própria, com tricôs, recortes, transparências, estampas artísticas e referências aos anos 1990 e 2000. Mais do que seguir tendências, ela construiu uma identidade que mistura moda, fotografia e cultura visual, o que ajuda a explicar a força que conquistou entre um público mais jovem e internacional.
Também de origem espanhola, a Bimba y Lola já deixou de ser novidade, mas continua sendo uma das marcas mais reconhecíveis do país. As bolsas ajudaram a consolidar sua presença fora da Espanha, porém as coleções de roupas também merecem atenção. A marca trabalha volumes amplos, estampas, cores e peças que frequentemente fogem do minimalismo, mantendo uma estética mais lúdica e visualmente marcante.
A Simorra, criada em Barcelona, segue outro caminho. Seu diferencial está menos em estampas ou logotipos e mais na construção das peças. A marca costuma explorar volumes, materiais estruturados e técnicas que fazem do próprio tecido um elemento de design. É uma proposta mais sofisticada e interessante para quem procura vestidos, conjuntos e roupas com acabamento elaborado, sem necessariamente entrar no universo das grandes maisons de luxo.
Já a Lola Casademunt representa um lado mais exuberante da moda espanhola. A marca catalã trabalha com animal print, cores fortes, brilho e acessórios chamativos, em uma estética praticamente oposta ao guarda-roupa neutro que dominou boa parte das últimas temporadas. É uma moda pensada para quem prefere que a roupa seja protagonista.
No outro extremo está a Adolfo Domínguez, uma das marcas espanholas mais tradicionais. Sua linguagem é mais sóbria, com alfaiataria desconstruída, tecidos fluidos, cores neutras e peças que não dependem tanto de tendências passageiras. Blazers, casacos e vestidos são boas referências para quem procura roupas que possam atravessar várias temporadas sem parecer datadas.
Nos pés, a Espanha vive um momento especialmente interessante
Se há uma categoria em que as marcas espanholas conseguiram chamar atenção nos últimos anos, é a de calçados. As bailarinas voltaram com força, mas longe daquela imagem básica associada às sapatilhas dos anos 2000. Agora aparecem em veludo, camurça, cores marcantes, formatos Mary Jane e versões com uma aparência mais artesanal.
É justamente nesse cenário que a Flabelus ganhou espaço. A marca espanhola reinterpretou as tradicionais alpargatas e criou uma estética bastante reconhecível, com modelos coloridos, tecidos variados e combinações que funcionam tanto com jeans quanto com vestidos e alfaiataria. O sucesso está justamente em transformar um produto ligado à tradição espanhola em uma peça contemporânea e desejável.
Outro nome que cresceu rapidamente é a HOFF. Criada em 2017, a marca ficou conhecida pelos tênis que misturam cores, materiais e recortes. A proposta coincidiu com uma mudança importante no mercado de sneakers. Depois de anos dominados por modelos brancos e minimalistas, os tênis de inspiração retrô e com mais informação visual voltaram a ganhar espaço. A HOFF aproveitou bem esse movimento e transformou o calçado em uma parte central do look, não apenas em um item funcional.
Madri e Barcelona oferecem experiências diferentes
Madri é provavelmente a cidade mais fácil para montar um roteiro de compras. A Gran Vía e o Centro concentram grandes redes, enquanto Salamanca reúne marcas premium, luxo e endereços importantes nas ruas Serrano e Velázquez. Chueca e Malasaña acrescentam boutiques menores e um ambiente mais ligado a tendências, o que torna possível combinar estilos muito diferentes em um mesmo dia.
Barcelona oferece uma experiência mais associada ao design independente. O Passeig de Gràcia continua sendo a principal vitrine de luxo, mas o Eixample, Gràcia e Born ampliam o repertório com lojas menores, multimarcas e projetos autorais. Não por acaso, várias das marcas mais interessantes da moda espanhola contemporânea têm raízes catalãs.
A diferença entre as duas cidades também aparece na forma como a moda é consumida. Madri tende a ser mais ligada a grandes marcas e a uma estética urbana sofisticada, enquanto Barcelona costuma parecer mais experimental e conectada ao universo criativo.
O que vale comprar na Espanha em 2026
Para quem pretende aproveitar a viagem para atualizar o guarda-roupa, a melhor estratégia não é voltar com a mala cheia, mas escolher peças que façam sentido fora do contexto das férias. Bailarinas, Mary Janes, mocassins e tênis coloridos continuam fortes, assim como blazers estruturados, calças amplas, saias midi, tricôs e camisas de modelagem solta.
Também vale olhar para bolsas e acessórios, especialmente para quem quer experimentar uma marca espanhola sem investir em um look completo. Uma bolsa da Bimba y Lola, um sapato da Flabelus ou um tênis da HOFF conseguem adicionar identidade a peças que já fazem parte do guarda-roupa.
No fim, talvez o mais interessante da moda espanhola atual seja justamente a variedade. Há espaço para a experimentação da Paloma Wool, para a exuberância da Lola Casademunt, para a sofisticação da Simorra, para a irreverência da Bimba y Lola e para a elegância mais atemporal de Adolfo Domínguez.
A Espanha continua sendo uma potência do varejo, mas sua moda já faz algum tempo deixou de caber apenas dentro de uma sacola da Zara.


